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Act-age: motivos para ler

Act-age
©Shueisha/Weekly Shounen Jump/Tatsuya Matsuki/Shiro Usazaki

Se tem um mangá relativamente novo que vem me impressionando de forma progressiva e contínua nos últimos tempos, esse é Act-age. A obra, escrita por Tatsuya Matsuki e desenhada pela jovem Shiro Uzasaki, de apenas 22 anos, foi lançada na Weekly Shounen Jump no início do ano de 2018, constituindo-se atualmente como uma das obras mais promissoras do line-up da revista.

Tendo em vista que conseguiu se tornar um dos meus mangás favoritos em tão pouco tempo, decidi fazer esse post buscando exaltar algumas de suas qualidades, que podem vir a chamar sua atenção. Em suma, isso não é uma review propriamente dita, mas simples e puramente uma recomendação. Vamos, então, aos pontos em que a obra se sobressai.

Sinopse

Seguimos a história de Kei Yonagi, uma jovem que possui um talento anormal para atuação. Mesmo isso trazendo a ela mais problemas que alegrias, ela deseja se tornar uma atriz; no meio de um teste, ela é descoberta pelo premiado diretor Kuroyama Sumiji, que decide então apostar todas as suas fichas nela.

Acompanhamos a jornada de evolução profissional e pessoal dela, por meio de diversas produções cinematográficas e teatrais.

Inovação dentro da Jump

À primeira vista, não parece nem um pouco que Act-age está na revista em que está. No meio de um ambiente dominado por histórias de ação/aventura, gags, esporte e romcoms, decerto salta aos olhos a presença de um singelo drama sobre atuação com toques de slice of life.

Além disso, Yonagi, juntamente com a Emma de Neverland, são as únicas protagonistas femininas dentro da revista, cujo público-alvo é predominantemente masculino.

A abordagem também é louvável, já que, mesmo com esse contexto, não há o mínimo resquício de service sexual, ao contrário de outras obras do tipo.

A narrativa não se utiliza nem mesmo de elementos como o uso pesado do romance como uma ferramenta para manter o leitor instigado da narrativa. O autor quis narrar a vida de uma aspirante a atriz. E ele vai manter você preso na história por isso, não por algum outro fator.

Act-age
©Shueisha/Weekly Shounen Jump/Tatsuya Matsuki/Shiro Usazaki

Tendo isso em vista, considero a existência de Act-Age por si só um ato corajoso. Isso porque executaram uma ideia diferente e arriscada em uma revista sem escrúpulos para cancelar obras que não fazem sucesso comercial. Isso ganha ainda mais força ao saber que ambos os autores da obra são completamente novatos na indústria.

Bom, a qualidade falou mais alto no final, e eles conseguiram conquistar o público japonês.

Arte

Como estamos falando de um mangá, mídia cujo apelo visual é algo bem importante, nada mais justo que falar do trabalho que a jovem Shiro vem fazendo. Desde o início, ela já demonstrava ter uma boa noção de quadrinização e de expressões das personagens.

No entanto, era algo ainda relativamente pouco polido. O interessante mesmo vem sendo notar que ela está evoluindo cada vez mais com o passar dos capítulos. Atualmente, nota-se que ela consegue passar sempre bastante impacto e significado em seus quadros. A consequência disso é sermos guiados com sucesso pelos sentimentos das personagens e do autor.

Um exemplo disso é o quadro abaixo, que demonstra bem a habilidade e criatividade da artista. Nele, a protagonista está no meio de uma performance de teatro. A ideia aqui foi utilizar com inteligência a cortina do espetáculo para criar uma conexão com o passado da personagem, algo além do que ocorre aos olhos de todos. As ondas são um simbolismo para o passado tumultuado da Kei.

Act-age
©Shueisha/Weekly Shounen Jump/Tatsuya Matsuki/Shiro Usazaki

Para um mangá com temática de atuação, isso se torna um grande diferencial, até porque o conceito de uma performance em si é a busca por entregar expressões e sensações ao público. Não seria interessante criar uma obra centrada nisso sem ter capacidade de passar as ideias de forma expressiva para as páginas.

Além disso, como vocês podem notar pelas imagens que estão ilustrando o post, as páginas duplas e coloridas são belíssimas.

Sensibilidade na escrita

Eu nunca adivinharia sozinho que a história de Act-age é escrita por um autor sem nenhuma experiência prévia em serialização de mangás. As formas que ele encontra para passar o que quer sempre me fascinam, pois consegue unir delicadeza e eloquência.

Isso é essencial, pois o Tatsuya se aventura em várias temáticas ricas, como carreira profissional, família, traição, e morte. Coisas que, em uma obra dramática, não podem ser tratadas de maneira leviana.

Tendo isso em vista, cada arco da história possui suporte temático a curto e a longo prazo dentro da obra. Em relação a esses arcos, pode-se dizer que são divididos basicamente em que apresentação a protagonista está no momento.

Nenhuma dessas apresentações é escolhida ao acaso, pois o autor exerce um bom controle sobre o impacto necessário distinto para cada uma. Assim, as performances têm um backstory plausível, uma considerável fase de preparação e, ao final, várias consequências narrativas.

Ele, aliás, não ignora fatores internos à atuação em si. Eu não diria que making of é o maior chamativo da trama, mas é inegável que está presente. Problemas relacionados ao funcionamento da indústria são denunciados, além de que o processo criativo dos atores é bem explorado. Falando em atores, vamos a um dos maiores pontos positivos dessa obra.

Personagens

Devo dizer que Act-age esbanja, e muito, neste quesito. Só o que foi feito com a protagonista em si já é algo a se admirar. No início da obra, ela já demonstrava um talento anormal para atuação, mas, como pessoa, era bem apática.

Na verdade, não era muito além daquele modelo de personagem com talento, mas sem muita expressão.  Comparando a Yonagi de lá com a dos capítulos mais recentes, nota-se o quão bem ela vem sendo desenvolvida pouco a pouco. Essa dinamicidade é algo fundamental.

©Shueisha/Weekly Shounen Jump/Tatsuya Matsuki/Shiro Usazaki

Sua convivência com o elenco a impactou totalmente, assim como ela impactou o elenco. Esse é o tipo de protagonista que mais possuo apreço, já que a sua presença influencia o que acontece com todos os outros personagens, sem haver necessidade de “forçar a barra” para isso.

Os próprios personagens restantes são interessantes em cada individualidade, e mesmo os que inicialmente parecem não ter potencial surpreendem. Dessa forma, criamos uma conexão com essas pessoas, e, consequentemente, nos importamos com o que será feito com elas.

Entretenimento

“— Mas, Jacó, eu gosto de consumir mangás puramente por prazer, não me importo com quesitos mais técnicos. E aí?”

Posso garantir que você não se sentirá entediado em nenhum momento. Os grandes arcos são bem movimentados, além de que as peças/gravações contam com várias reviravoltas, deixando um cliffhanger em quase todo capítulo.

Não posso esquecer também da questão que muita gente gosta, que é a dos shipps. Como eu bem disse anteriormente, essa não é uma obra de romance, mas o que não faltam são casais de todos os tipos para tentar imaginar alguma coisa.

Eu, particularmente, torço muito para que a protagonista fique com a personagem Chiyoko. Também não é para menos, já que, fora a relação interessantíssima delas dentro da própria obra, algumas artes promocionais ajudam bastante a sustentar o ponto.

©Shueisha/Weekly Shounen Jump/Tatsuya Matsuki/Shiro Usazaki | “Artes tipo essa aqui ;p”
Considerações finais

Com isso tudo em vista, deve ter ficado bem claro que sou bem fã da obra, e estou disposto a divulgar ela o máximo que eu puder.

Em breve, ela deve receber anúncio de anime, e espero que venha uma adaptação boa para espalhar ainda mais a história da Yonagi por aí. Obrigado por seguir o post até aqui, e lembrem-se: leiam Act-age.

Confira mais curiosidades e recomendações de mangá.

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