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Carole & Tuesday | Episódios 5 a 7: as pedras no caminho para o topo

Carole & Tuesday
©Bones/Shinichiro Watanabe

Carole & Tuesday | Episódio 5 – Every breath you take <> Episódio 6 – Life is a Carnival <> Episódio 7 – Show me the Way

Considerações iniciais 

Antes de mais nada, quero me desculpar com vocês pela quebra repentina na constância semanal das análises de Carole & Tuesday. Isso ocorreu, infelizmente, devido a questões de saúde (eu sei que não vem ao caso, mas acabei pegando catapora). Tendo isso esclarecido, devo deixar claro que a inatividade de duas semanas me entristece, pois eu estava adorando escrever sobre o anime semanalmente justamente pela riqueza de cada episódio.

Como seria inviável para a manutenção da frequência, não vai ser possível escrever posts individuais para esses três respectivos episódios. Portanto, terei de compilar tudo nessa análise tripla, o que não possibilitará uma quantidade de detalhes tão expressiva quanto a que vocês recebiam nas análises anteriores, e peço perdão por isso. Porém, caso não ocorra nenhum imprevisto (espero profundamente que não), próximo sábado será lançada, pontualmente, a análise semanal do episódio 8. A ficha técnica de todos os episódios estará no final do post.

Quinto episódio: Investimentos, contatos e estreias 

Nomeado a partir da música “Every Breath You Take”, da banda “The Police”, marcou o recomeço das garotas após o fiasco do clipe musical. Assim como esperado, a obra se preocupa em mostrar que não é nada simples iniciar uma carreira de sucesso na indústria, fato esse que torna a história bem mais interessante de ser acompanhada. Nota-se que, mesmo elas tendo o Gus, uma pessoa com vários contatos dentro da indústria, está sendo difícil conseguir engrenar dentro desse meio.

Isso fica bem claro quando o Gus procura um antigo conhecido — que, aliás, me deixou curioso para saber mais sobre o fim da Lazy Sandwich, banda em que ele tocou na juventude — um agora figurão da indústria chamado Höfner, buscando ajuda para alavancar a carreira das garotas. Em uma cena fria por parte do executivo, tivemos uma recusa que ilustra bastante a situação do trabalho hoje em dia: o motivo pelo qual ele não quis ajudar, diretamente, foi simplesmente a falta de algum destaque/experiência anterior delas.

Carole & Tuesday
©Bones/Shinichiro Watanabe | “Sem choro, Gus!”

É como naquele meme do jovem buscando um emprego e falha por não ter tido oportunidades anteriores de trabalho. Se agora está assim, imagine em uma sociedade futurista em que várias funções humanas já foram tomadas por inteligências artificiais? O Gus retrucou isso melancolicamente com a pesada e significativa sentença “parece que você acabou se tornando um sujeito sem graça”.

Voa, Ângela!

Em contraste com isso, a Ângela, devido a sua intensiva vivência anterior com a vida de “idol”, não teve tanta dificuldade para conseguir um investimento pesado de 12 milhões de Woolongs de um executivo importantíssimo chamado Shwaltz devido à sua conexão com o Tao. Mais uma crítica ao funcionamento quase mecânico da indústria musical. Bom, pelo menos fomos agraciados com a Angie cantando à capela a insert “Move Mountains”, marcando a estreia no anime da artista Alisa (responsável pelos singles da Ângela).

Carole & Tuesday
©Bones/Shinichiro Watanabe | “Ela manda bem!”

Também achei interessante quando o Tao sugeriu que as pessoas não são mais atingidas por publicidade explícita, mas sim por algo que chega neles sem nem ao mesmo sentirem. Isso é justamente o que ocorre em muitos casos hoje em dia, visto que é mais possível algo dar certo aparecendo de relance nas redes sociais do que esse mesmo algo sendo divulgado “a torto e a direito” em um carro de som.

No entanto, se a tentativa do Gus não deu muito certo, ao menos o Roddy conseguiu uma oportunidade para elas através de uma velha conhecida sua, chamada por ele de Beth. À moda antiga, as duas tocaram a música “Someday I’ll Find My Way Home” em um barzinho na presença de apenas 10 pessoas. A letra foi tão bonita que até o irmão da Tuesday desistiu de levá-la de volta para casa. Essa parte foi narrada pela visão do Roddy, que expressou mais do que nunca sua admiração por “cada respiração” da dupla.

Carole & Tuesday
©Bones/Shinichiro Watanabe | “Linda performance!”
Sexto episódio: nem tudo são flores

Esse episódio, nomeado a partir da música “Life Is A Carnival”, da banda “The Band”, teve, como principal destaque, a participação de Carole & Tuesday no Cydonia Festival, uma espécie de Rock in Rio marciano, se é que vocês me entendem.

Primeiramente, eu gostaria de destacar que, a partir desse episódio, a Carole começou a chamar a Tuesday de “Tues” de forma bem natural, e isso foi simplesmente a coisa mais “ownnnt” que vi em muito tempo. É bem legal ir notando que a cada episódio alguns detalhes a mais vão sendo introduzidos na relação delas, tornando-a mais profunda aos poucos. Sim, isso deve ser a coisa que vocês menos ligaram do episódio, mas eu gostei, então está aí registrado.

Vamos agora, então, para os acontecimentos mais importantes. Convenhamos que, após 5 episódios relativamente agridoces, esse pode ser considerado, ao menos, o mais impactante até agora.

Antes de chegar ao evento principal, devo dizer que achei interessante e, ao mesmo tempo, estranha a interação entre o dueto principal e o recém-apresentado Skip. Por um lado, adorei a reflexão levantada acerca do fato de que os iniciantes, caso consigam ir mais a fundo nesse âmbito, logo, têm sua visão mais idealista da música cegada pelas “luzes brilhantes”. De fato a tendência é, no mínimo, se tornar mais pragmático ao passar do tempo, como ocorreu com o mencionado Höfner.

Carole & Tuesday
©Bones/Shinichiro Watanabe | “É isso aí meu parceiro!”
Um pouco forçado?

Por outro lado, achei meio forçado o cara chegar em duas garotas com um discurso filosófico do nada. Soou meio artificial, mas não é algo que chega a atrapalhar muito a experiência.

Em seguida, fomos introduzidos à Crystal, uma respeitada cantora do universo desse anime. Eu gostaria, inclusive, de me desculpar por um erro meu na análise semanal do episódio 2, no qual acabei achando que Crystal era uma outra referência a uma artista real. Na verdade, é uma personagem em si da obra. Tendo em vista o que foi mostrado no single “Unrequited Love”; performado pelo Thundercat (Skip), deram a entender que ele e a Crystal tiveram algum caso amoroso no passado, que talvez seja mais detalhado (ou não) futuramente.

Carole & Tuesday
©Bones/Shinichiro Watanabe | “Interessante!”

Todavia, o maior destaque para mim foi, indubitavelmente, a recepção das duas no show. Em vez de fazer aquela coisa mais para cima com as milhares de pessoas pararem para apreciar a música das duas (o que fez sentido naquele barzinho no episódio passado devido ao contexto), os fãs ficaram furiosos devido ao fato de que a banda que eles vieram para prestigiar não se apresentou, e seria substituída por duas “ninguém”.

Sempre é bom ter a sensação de que as coisas nem sempre dão certo em situações sérias. Além disso, pela primeira vez, vimos as garotas chorando seriamente, e isso me impactou bastante já que antes, dificilmente, elas ficavam muito para baixo.

Por fim, elas sendo reconhecidas pela pessoa que admiram funcionou bastante. Ainda mais quando, logo em seguida, elas viram o quão boa foi a performance da música “Unbreakable”, primeiro contato nosso com o trabalho da Crystal, interpretada por Lauren Dyson.

Carole & Tuesday
©Bones/Shinichiro Watanabe | “Um pouco chorosa essa cena!”
Sétimo episódio: arco do torneio a vista 

Esse episódio, nomeado a partir da música “Show Me The Way”, do artista “Peter Frampton”, introduziu a participação da Carole e da Tuesday no Mars Brightest, algo parecido com o The Voice — o comercial deixou muito claro, de maneira cômica, que, talvez tenha sido baseado no The Voice. A certa “ridicularização” do evento foi algo interessante de se ver, inclusive.

Carole & Tuesday
©Bones/Shinichiro Watanabe | “Adam, estou olhando para ti!”

As eliminatórias foram cheias de momentos de comédia com várias figuras exóticas — além da reaparição do nosso amado robô IDEA. Sempre admiro o esforço que a direção faz para tornar bem produzidos os momentos que, em outros animes, seriam feitos de maneira mais relaxada. Dessa forma, a comédia funciona muito melhor. Ademais, para a surpresa de absolutamente ninguém, nossas heroínas passaram da fase qualificatória.

O fator mais marcante, no entanto, foi o trabalho maior de experiências passadas do trio Ângela-Carole-Tuesday. Assim como em battle shounens tradicionais, todas possuem um passado meio triste. Entretanto, eles vêm sendo expostos com naturalidade com o tempo, em vez de soltar tudo de uma vez.

Esses passados…
Carole & Tuesday
©Bones/Shinichiro Watanabe

A principal vítima disso é a Angie e a história de sua Mãe, que, no episódio 5, havia sido exposta como uma entidade andrógena pelo Tao. Antes, aliás, eu pensava que ela era daquele jeito por questões cômicas, mas a revelação de que era algo sério acabou mostrando que o fato de que achei engraçado denota um preconceito enraizado para com esse tipo de pessoa.

Aparentemente, quando ainda tinha traços majoritariamente masculinos, ela era uma pessoa problemática, e em algum momento acabou machucando a Ângela. Pode ser que eu esteja errado, mas só saberemos com o passar do tempo; quando soltarem mais coisas sobre os acontecidos. O que temos certeza é que a idol não se sente totalmente confortável na casa antiga dela.

Carole & Tuesday
©Bones/Shinichiro Watanabe | “Uma família não tão feliz assim…”
Prosseguindo

Quando foram fazer um questionário na apresentação das qualificatórias, também houve uma pincelada do passado da Carole, que disse com tranquilidade que teve de fazer uma migração de emergência da terra para Marte — eu gostaria que no futuro explicassem melhor o motivo de boa parte da humanidade ter ido para o planeta vermelho, mas caso não ocorra, não irei reclamar devido ao foco da trama.

O que isso acarretou foi uma pequena crise existencial por parte da Tuesday, pois ela viu toda a sinceridade e tranquilidade de sua companheira ao falar de si mesma, enquanto ela estava se escondendo tanto ao ponto de usar um disfarce nível Equipe Rocket para não ser descoberta por sua família.

Carole & Tuesday
©Bones/Shinichiro Watanabe | “Prepare for trouble ♬♪”

Através de alguns bons layouts separando a Tuesday do resto do grupo, percebemos bem o quão desconfortável ela estava se sentindo. O legal foi ver que a amizade entre a dupla principal está tão consolidada que conseguiram resolver essa questão em um simples diálogo, e a Carole “mostrou o caminho” certo à sua companheira. O highfive personalizado representando a união entre elas finalizou bem o episódio.

Agora, estou louco pra ver elas se encontrando com a Ângela pela primeira vez, já que ela também está no “The Voice”. Esse encontro vai ser épico!

Parte técnica

A staff responsável pela produção do episódio 5 teve como storyboarder Manabu Okamoto, que já havia exercido essa função anteriormente no episódio 2. Já o diretor do episódio foi Noriyuki Nomata, que dirigiu episódios de obras bem produzidas como o segundo de Flip Flappers e o 5 de Oregairu Zoku. O supervisor-chefe é o Yoshiyuki Ito, que vem revezando essa função com Naoyuki Konno. O primeiro exerce-a nos episódios ímpares, enquanto o segundo nos episódios pares.

Os storyboards do episódio 6 ficaram a cargo de Ko Matsuo, diretor de Kakumeiki Valvrave e de Natsuyuki Rendezvous. A direção ficou a cargo de Shohei Miyake, que já havia exercido a função anteriormente no episódio 2.

Para finalizar, o episódio 7 teve os storyboads elaborados por Takaharu Ozaki, diretor de Girls Last Tour e Goblin Slayer. A noção de atmosfera/clima dele foi realmente sentida nos layouts mais opressivos do episódio e seu contraste com os criativos momentos cômicos. O diretor Satoshi Takato, que, havia dirigido o episódio 3, soube passar bem as ideias dele para a tela.

Deixarei aqui um link para vocês verem mais trabalhos do pessoal que participou do anime até agora. Clicando aqui você será direcionado para a página do anime na enciclopédia do Anime News Network.

Nota: A – Brownie de chocolate com calda de caramelo
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o significado das nossas avaliações? Descubra aqui: Menu de Notas.


©A-1 Pictures/Miyuki Nakayama | “O gerente recomenda!”

Carole & Tuesday está em simulcast pelo serviço de streaming Netflix, porém, somente no Japão.
Leia as outras análises desse anime: Carole & Tuesday.

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