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Madhouse: o que está por trás da “decadência” dos últimos anos?

©Madhouse/CLAMP | “A Sakura-chan não é decadência!”

Quando pensamos em estúdios famosos com boas animações, logo lembramos do Kyoto Animation, Ufotable, e por muito tempo o Madhouse também figurou neste seleto grupo de bons estúdios.

Contudo, nos últimos anos, começou a ter uma queda grande na qualidade de suas animações, produzindo muitos animes por ano e, com isso, precarizando suas produções. Mas o que levou a empresa a cair tanto?

Os primórdios do Madhouse

Para quem não sabe, o estúdio foi fundado em 1972 por ex-funcionários do Mushi Pro, que era um estúdio de animação daquela época que hoje já não existe mais. O estúdio ficou bastante famoso pela qualidade grande em suas animações, como foi o caso de Sakura Card Captors, que apesar de datado nos dias de hoje (com exceção da temporada de 2018, claro), era uma ótima animação para a época (anos 2000).

Ao longo dos anos, o Madhouse começou a “selecionar” as obras que queria para seu estúdio; em 2006 com a produção de Death Note, o estúdio começou a ficar ainda mais conhecido pelo público, visto que o anime foi um enorme sucesso no mundo inteiro.

A partir de então, obras como Black Lagoon, Devil May Cry, High School of the Dead, Hunter x Hunter e One Punch Man fizeram grande sucesso, não somente pelas histórias, mas principalmente pela ótima qualidade de animação. O Madhouse começou a selecionar tanto o que fazia, que no ano de 2017, apenas um anime foi produzido: ACCA 13, que estreou em janeiro daquele ano.

Contudo, o estúdio tem decaído na qualidade dos seus animes, produzindo muitos durante o ano — e muitos sem o selo de qualidade “Madhouse das antigas”.

O “x” da questão

No ano de 2011, a emissora NTV comprou 85% das ações do estúdio Madhouse — o que tornou a “casa” subsidiária da empresa de televisão. Neste mesmo ano, um dos fundadores do estúdio, Masao Maruyama, deixou a empresa e fundou outro estúdio, que está cada vez mais se destacando; este é o Mappa.

A partir de então, várias baixas de animadores aconteceram e aos poucos a empresa começou a cair no ostracismo dos melhores estúdios de animação. A situação de trabalho na empresa se tornou quase “trabalho escravo”.

Em abril de 2019, um funcionário da empresa desmaiou de exaustão por trabalhar em excesso ao fazer 200 horas extras — sem receber um iene a mais por isso. O acontecimento causou uma grande polêmica sobre as condições de trabalho dos animadores no Japão — principalmente no que dizia respeito ao Madhouse.

Só para vocês terem uma ideia, este funcionário trabalhou quase 400 horas em um mês. Um caso absurdo em todos os sentidos.

Além dos detalhes acima, a NTV priorizou quantidade à qualidade, produzindo muitos animes por ano e até por temporada. Na temporada de outono de 2019, o Madhouse está produzindo dois animes: a terceira temporada de Chihayafuru, e No Guns Life; além de Diamond no Ace II, que está sendo exibido desde 2018 no Japão.

Tudo isso faz o estúdio hoje em dia ser apenas mediano, não mais premium como era há uns anos atrás.

Os freelancers estão salvando

Outro detalhe interessante é que tanto Chihayafuru quanto No Guns Life estão com uma animação até que boa para os padrões atuais da empresa, contudo, isso é muito mais mérito das staffs qualificadas de ambas as produções do que do próprio estúdio em si.

©Madhouse/Atsuko Ishizuka/Juuki Hanada | “Sora yori é um dos melhores da atual fase do estúdio ~”

Inclusive, um dos melhores animes do ano de 2018, Sora yori mo Tooi Basho, foi produzido pelo Madhouse, mas a sua ótima produção deu-se pela qualificadíssima staff encabeçada pela diretora Atsuko Ishizuka — em linhas gerais, as boas produções que de lá saem atualmente são méritos de equipes compostas por freelancers.

Atualmente, olhamos para um passado não muito distante de como a empresa era com pesar, em comparação a um presente fraco quiçá desastroso.

Grande parte dos animes listados no texto estão disponíveis no catálogo do serviço de streaming Crunchyroll — navegue e confira!
Veja mais curiosidades sobre a indústria.

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