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Review: Beastars

Beastars
©Orange/Paru Itagaki
Beastars — descrição técnica

Diretor: Shinichi Matsumi
Estúdio: Orange
Número de episódios: 12
Autor(a) original: Paru Itagaki
Adaptado de: mangá
Gênero(s): drama, psicológico, e slice of life

Beastars é uma obra que chama à atenção por ter uma proposta visual bem diferente, trocando todos os personagens por animais humanoides, porém, o anime não se resume apenas a isso; pois entrega bons personagens e dramas.

Humanos x animais

Um dos grandes chamativos de Beastars acaba sendo o seu visual, mas o autor tem um cuidado com esse aspecto que vale a pena ser mencionado.

Uma das coisas que você rapidamente percebe quando assiste ao anime é que não se trata apenas de seres humanos usando “skins” de animais, ou animais fingindo serem humanos.

Ambos os lados são muito bem dosados para criar uma estrutura orgânica dentro da história, na qual você tem os personagens mantendo suas identidades como animais, mas também expressando bem o seu lado humano de forma que os dois harmonizem.

Sobrevivência dos mais aptos

Seguindo essa linha de construção, o mundo do anime tem características que se destacam e dão ainda mais personalidade para a obra.

Em uma sociedade na qual herbívoros e carnívoros vivem juntos, muitos cuidados precisam ser tomados, mas antes que os predadores fiquem parecendo com personagens de um certo filme de vampiros, ignorando suas verdadeiras naturezas, o anime mostra que o mundo não é tão bonito assim.

A sociedade fora da escola na qual o protagonista vive é bem mais brutal, onde essa “lei da boa vizinhança” é colocada para debaixo dos panos sempre que possível, já que as pessoas entendem que certos maus são necessários para se manter um equilíbrio no estilo de vida que eles adotaram.

Uma das principais cenas que dá para destacar nesse sentido é a visita do protagonista ao mercado negro.

Por mais que tenha esse nome, o local é facilmente encontrado, e tem um clima bem descontraído, como se fosse uma feira ou praça de alimentação.

Lá você percebe que o consumo de carne de “pessoas” (outros animais) não é repreendido, e você encontra até exemplos brutais, como herbívoros vendendo partes do corpo para conseguir dinheiro.

A forma como o anime mostra esse ponto é bem feita, boa parte, graças a uma boa direção, e você vai entendendo esses aspectos mais maduros do enredo junto ao protagonista, e notando que por trás de toda aquela política de proteção aos animais indefesos, existe uma sociedade disposta a sacrificá-los quando necessário.

Personagens profundos

Em conjunto a tudo isso, os personagens também têm seu destaque. Nessa primeira parte, os grandes holofotes ficam em cima do Legoshi, da Haru, e do Louis (a Juno deve se destacar melhor na segunda temporada).

Cada um deles tem uma profundidade incrível na sua construção, entregando arquétipos bem únicos e desenvolvimentos surpreendentes.

O Legoshi tem o seu complexo por ser um lobo, e um certo medo de ferir os mais fracos, já que é gentil, mas está disposto a agir quando necessário.

Por outro lado, o Louis já é o completo oposto, tentando reafirmar constantemente que pode ser tão poderoso quando um predador, e que a ideia de ser um cervo não implica em fraqueza.

A Haru também tem vários momentos de destaque, construindo uma personalidade bem chocante em certos pontos, mas que faz total sentido para o estado emocional que ela dispõe.

Nesse quesito, volto a destacar o cuidado que o autor tem na composição da história. Mesmo que os dilemas passados pelos personagens sejam humanos (paixões, inseguranças, medos, superação, solidão); isso tudo é embasado nos “aspectos animais” de cada.

O autor tenta deixa bem claro que escolheu os animais para representar uma ideia, e não somente criar um impacto visual em quem está lendo, o que acaba deixando a obra bem mais complexa e interessante.

Críticas e filosofias na medida certa

Por último, e como uma espécie de bônus, a obra dá espaço para diversas interpretações interessantes sobre o seu universo.

A estrutura da sociedade da obra remete, em certos pontos, a uma crítica ao sistema hierárquico que vivemos, no qual alguns indivíduos são vistos apenas como “presas” para a classe mais alta, além de uma abordagem sutil sobre os “monstros” que temos que esconder para viver em sociedade.

Os personagens também têm seus pontos, como a exploração de expectativas e pressão social, como é o caso do Louis com a sua obsessão por perfeição, e a Haru com a sua necessidade de ser notada.

Uma cena que eu destacaria, antes de terminar, seria o dialogo que a Haru tem com o Legoshi no último episódio. Ela diz que o mundo sempre enxergaria em primeiro lugar ela como uma coelha, e ele como um lobo, por isso o romance não funcionaria.

Basta trocar “coelho'” e “lobo” por coisas como: diferença social, sexual, racial, e afins, que vocês alcançam a mesma linha de raciocínio que o anime propõe.

Em linhas gerais

Beastars é uma obra que se destaca bastante em diversos aspectos do seu enredo, entregando um mundo complexo e vivo, com personagens interessantes e desenvolvimento bem-executados.

O anime ainda se beneficia de uma boa direção, e mesmo sendo feito em CG, isso não incomoda em nada.

A segunda temporada já foi confirmada, então vale a pena correr para assistir, e já ficar preparado para acompanhar o desenrolar desse drama.

Nota: 9 — Frappuccino


©P.A. Works/Toshiya Shinohara | “Esse show merece o selo Hitomi da primavera de qualidade!”

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