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Review: Bokutachi wa Benkyou ga Dekinai

©Silver/Arvo Animation/Tsutsui Taishi
Bokutachi wa Benkyou ga Dekinai — descrição técnica 

Nome alternativo: We Never Learn: BOKUBEN
Diretor: Yoshiaki Iwasaki
Estúdios: Arvo Animation e Silver
Número de episódios: 26 (split-cour com duas partes de 13 episódios)
Adaptado de: mangá
Autor original: Tsutsui Taishi
Gênero(s): comédia romântica e vida escolar

Considerado por muitos o sucessor espiritual de Nisekoi na Jump, o mangá Bokutachi wa Benkyou ga Dekinai recebeu uma adaptação animada em 2019. Como as suas duas temporadas são, na prática, uma só, essa review se refere aos 26 episódios como um todo.

Sinopse

A premissa básica da história é de um carinha pobre e inteligente exercendo o papel de tutor para algumas garotas; que acabam se apaixonando por ele durante o processo.

Certamente, lembra bastante o plot de Gotoubun no Hanayome, certo? De certa forma sim, mas as duas obras vão por caminhos bem diferentes.

Aqui no blog tem um post comparando as duas obras, mas ele acabou ficando um pouco datado em certos pontos.

Durante essa review, me aproveitarei da semelhança de plot para fazer também algumas comparações entre os animes.

Produção visual

Bom, gosto de começar falando da parte técnica, já que é o tópico que mais me desperta interesse. Em relação a isso, eu diria que Gotoubun e Bokuben são exemplos, respectivamente, de uma má e de uma boa adaptação econômica.

Nenhuma das duas obras possuiu uma produção visual impressionante, o que é algo comum em adaptações de obras cotidianas. Ainda assim, We Never Learn foi bem mais agradável nesse quesito do que seu “rival”.

Enquanto a abordagem tomada pela staff do anime das quíntuplas foi de simplesmente copiar e colorir os quadros do mangá, sem nem ao menos prezar por elaborar layouts que funcionem em um ambiente de animação, a de Bokuben foi mais perspicaz.

Tendo em vista que o diretor Yoshiaki Iwasaki vem dirigindo comédias românticas de peso desde Love Hina (2000), convenhamos que ele, no mínimo, passa longe de ser inexperiente na área.

Por isso, tivemos como resultado um anime mais vivo, mesmo não esbanjando animação boa em nenhum momento.

Ele conseguiu deixar os momentos cômicos bastante energéticos, adicionando várias gags visuais e sonoras que não confiavam apenas na quadrinização do mangá.

©Silver/Arvo Animation/Tsutsui Taishi | “Essas ‘manchas’ na movimentação do braço são um exemplo da tentativa constante da direção de tornar tudo mais energético”

Em questão de consistência de design, também se saiu bem, com todos os episódios contando com correções do character designer Masakatsu Sasaki, o que indica que a schedule não foi muito ruim.

Além disso, gostei do fato de que as partículas que denotavam o estado emocional dos personagens nas cenas de comédia nunca eram estáticas, dando ainda mais energia.

Enredo

No entanto, em questões de roteiro, Bokuben acaba não se sobressaindo, já que o autor vai por caminhos mais preguiçosos.

Eu gosto da ideia das garotas quererem seguir carreiras que não batem com seus talentos, mas ao invés de elaborar uma narrativa bem encaixada baseada nisso, ele preferiu constituir sua obra, majoritariamente, por capítulos avulsos de comédia, que nem desenvolvem os personagens a médio prazo nem avançam a trama.

De vez em quando ele faz mini-arcos focados em alguma heroína em específico, e só. Se deixassem só eles e excluíssem o resto nada seria perdido.

Já em Gotoubun, por exemplo, o autor conseguiu manter uma narrativa completamente linear; cheia de viradas e pontos interessantes.

Personagens

As garotas, apesar de serem estereotipadas e bem simples, são todas carismáticas, cada uma do seu jeito.

A Fumino em especial é a minha favorita, visto que ela foi a mais bem desenvolvida ao decorrer das temporadas, além de manter uma química bem interessante com o protagonista, já que ela mantém uma relação de legítima amizade e companheirismo para com ele.

Graças a isso, a comédia funciona bem na maioria das vezes, sustentando assim a ideia simplória da estrutura narrativa.

©Silver/Arvo Animation/Tsutsui Taishi | “Já dá pra perceber minha ‘imparcialidade’ só pelo fato de que todas as imagens desse post são da Fumino xD”
O final…

Agora vamos à parte que mais gerou discórdia nessa adaptação: o seu final. Diferentemente do mangá, que ainda está em andamento, o anime optou por finalizar com um final “fechado” e original.

Bom, eu particularmente não tenho nada contra mudanças no material original, já que estamos falando de uma adaptação, não de uma transcrição.

Entretanto, não economizo reclamações caso estas mudanças não façam bem ao roteiro, e esse é o caso aqui.

Como uma obra isolada (que é como querem que nós vejamos o anime), pura e narrativamente falando o final foi simplesmente horrível.

Após o término de um arco que claramente não completa nenhum dos objetivos da obra, sem nenhuma preparação, conflito nem nada, jogaram em cinco minutos um timeskip com uma finalização rushada qualquer.

Pensando estritamente como uma história individual, ignorando que há o mangá em publicação, é simplesmente muito frustrante.

Para mim, isso desvalorizou boa parte do que estava sendo construído, pois tudo que foi feito não levou a lugar nenhum, principalmente se olharmos para o arco anterior que abordou todo o passado da Fumino.

Em linhas gerais

O anime de Bokutachi wa Benkyou ga Dekinai é uma competente adaptação do divertido, apesar de pouco inspirado material original publicado na Weekly Shounen Jump.

No entanto, o final é insatisfatório, tanto para quem lê o mangá quanto para quem não lê. É bom ir assistir já ciente disso — caso você esteja interessado na história.

Nota: 5 – Café au lait (café com leite)


©Silver/Arvo Animation/Tsutsui Taishi | “A Fumino também não gostou nada desse final…”

We Never Learn: BOKUBEN está disponível no catálogo do serviço de streaming Crunchyroll.
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Confira mais reviews referentes ao outono de 2019.

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