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Review: Fire Force

Fire Force
©David Production/Atsushi Ohkubo
Fire Force — descrição técnica 

Nome original: Enen no Shouboutai
Diretor: Yuki Yase
Estúdio: David Production
Número de episódios: 24
Adaptado de: mangá
Autor original: Atsushi Ohkubo
Gênero(s): ação e sobrenatural

Hypado desde o início por ser adaptação do novo mangá do autor de Soul Eater, o anime chegou como uma obra promissora entre os battle shounens. A recepção, no entanto, acabou sendo meio mista, e ao decorrer do texto vamos entender o porquê.

Sinopse

Ambientada em um mundo assolado por uma doença que causa autocombustão, acompanhamos a história pelo ponto de vista do protagonista Shinra Kusakabe.

Ele é um usuário de pirocinese que teve a mãe morta em um incêndio quando era bem novo, e acabou recebendo a culpa pelo incidente. Agora, ele entra para um dos batalhões que lutam contra os “infernais”, seres irracionais resultantes da combustão humana.

Produção visual

Como de costume, vou começar falando da parte técnica, até porque, para mim, é o maior destaque desse anime.

Anteriormente, eu havia feito um post falando de fatores muito positivos relacionados à staff responsável, e devo dizer que eles corresponderam às expectativas.

Foi, afinal, uma produção liderada pelo diretor ex-Shaft Yuki Yase, que trouxe várias pessoas de lá para auxiliá-lo no ambiente do David Production.

O resultado foi uma parte visual bastante rica, cheia de layouts desafiadores que tornavam esteticamente interessante qualquer coisa que estava acontecendo na tela.

Além disso, os cenários do estúdio Bihou — responsável pelos backgrounds de Shingeki no Kyojin — passavam muito bem a ambientação da obra.

©David Production/Atsushi Ohkubo

E não podemos nos esquecer, logicamente, do que mais chamou à atenção do público geral: isso mesmo, as cenas de ação.

O anime contou com uma boa line-up de animadores, da qual se destacou o Kazuhiro Miwa, nome mais importante da obra em termos de animação.

Ele foi o responsável pelas lutas mais complicadas de quase todos os episódios, esbanjando 2DFX com fogo e boas coreografias.

Em suma, Fire Force foi muito digno de nota tecnicamente, figurando entre as melhores produções (neste quesito) do ano de 2019.

Enredo

O que mais me chamou à atenção nessa história foi a interessantíssima ambientação. O mundo criado é bastante original e dotado de nuances, como a forte presença religiosa em uma civilização decadente, além dos vestígios de que anteriormente aquele mundo era parecido com o nosso.

Além disso, nota-se uma curiosa mescla de elementos steampunk com pós-apocalípticos. Isso decerto é mais valorizado ainda pela direção de arte.

Já no que toca ao roteiro, devo dizer que foi uma “montanha-russa” para mim. Os dois primeiros episódios são excepcionais, com o primeiro apresentando o básico da proposta de forma bem dinâmica, enquanto o segundo foi uma tentativa madura de mostrar o outro lado da história; expondo a parte mais melancólica do trabalho.

Porém, isso tudo foi quebrado logo quando começou um certo arco destacando a personagem Tamaki, que causou bastante polêmica durante a transmissão devido à sexualização em cima dela.

Da minha parte, avalio a sua presença da seguinte maneira: nós estamos vendo um anime de bombeiros sobrenaturais lutando contra monstros de fogo. Há a necessidade, em uma história assim, de haver uma personagem que só serve para perder a roupa e desviar a atenção do plot em momentos inoportunos?

Na minha visão, não.

“— Ah, mas é só alívio cômico, é uma sátira com ecchi”

Bom, nem é engraçado e sexualiza a personagem do mesmo jeito.

Depois disso, houve uma sequência de arcos medianos, e só voltou a melhorar no final com o conflito do protagonista com seu irmão.

O reencontro entre os dois, inclusive, teve uma cena especial dirigida pelo Yuki Yase, e ficou belíssima com o uso inteligente da iluminação e da fotografia.

©David Production/Atsushi Ohkubo | “Essa cena em questão”
Em linhas gerais

Enen no Shouboutai é um anime excepcional em valores de produção, mas desperdiça sua história com questões frívolas em boa parte do tempo.

Ainda assim, possui seus bons momentos e é bastante criativo em certos pontos. Só não é o que boa parte dos fãs de Soul Eater esperavam.

Nota: 7 — Café submarino


Nota do Shinra
©David Production/Atsushi Ohkubo | “A história poderia ter sido melhor”

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