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Review: Granbelm

©Nexus/Masaharu Watanabe/Jukki Hanada
Granbelm – descrição técnica

Diretor: Masaharu Watanabe
Estúdio: Nexus
Número de episódios: 13
Composição de série: Jukki Hanada
Adaptado de: nenhum material (obra feita originalmente para a TV)
Gênero(s): fantasia, magia e mecha

Granbelm é um anime mecha cujos robôs são animados inteiramente em 2D e protagonizado apenas por garotas. Se alguém viesse me falar que está assistindo a algo com essas características, eu muito provavelmente interpretaria que a pessoa está vendo um anime dos anos 80 ou 90.

Não é para menos, já que na época esse tipo de anime era “uma febre” e saíam obras assim aos montes. Bom, o tempo passou, e já há algum tempo mecha não é mais a tendência.

Além disso, a animação digital vem crescendo bastante, assim como a utilização de CGI. Dessa forma, mesmo quando sai algum anime de robô gigante, a possibilidade maior é a de que este seja feitos em computação gráfica. Raras exceções acontecem, e quando acontecem vêm de estúdios abastados e de projetos grandes, como Gundam e Darling.

Eu certamente não esperava ver, em plena “era dos isekais”, um anime com uma alma tão “old school” assim. Afinal, estamos falando de um projeto pequeno, vindo de uma equipe pequena.

Antigamente isso era comum, pois a indústria era lotada de animadores focados em mecha animation. Já hoje em dia, pouquíssimos animadores desbravam essa área, tendo em vista que é mais complicado que animar humanos e há pouca demanda no mercado. Então eu diria que foi uma ousadia sem tamanho do pequeno estúdio Nexus arriscar produzir este anime.

Isso se torna ainda mais admirável ao ter ciência de uma entrevista feita com Takayuki Nagatani, um dos produtores do anime. Ele fala que uma das motivações da equipe foi justamente tentar reproduzir atualmente o ar agradável de animes mecha com animação tradicional. Eu acho sensacional essa obra ter começado a existir com um ideal tão legal assim.

Granbelm
©Nexus/Masaharu Watanabe/Jukki Hanada

Isso fica ainda mais interessante ao notar algumas escolhas da staff muito boas para essa história. Eu estou falando, justamente, das duas coisas que mais chamaram a atenção do público no início: a presença do diretor e do designer de personagens de Re:Zero.

Nota-se que a história busca tanto mostrar as garotas como “fofas” quanto como pessoas que entram em estado de fúria durante batalhas e provações. Assim, penso que poucas pessoas seriam tão eficientes nisso, porém, nesse projeto há os belos designs femininos do Shinichirou Otsuka e a sensibilidade estética opressora que o Watanabe faz nos momentos certos.

Além disso, esse projeto foi abençoado com um cronograma de produção invejável. Há relatos, inclusive, de que, quando o anime começou a ser transmitido, todos os episódios já estavam finalizados. Para ter uma ideia do quão incrível em termos de organização isso é, a maioria dos animes possui apenas 4 ou 5 episódios prontos no início. Aliás, houve até episódios que foram animados por uma pessoa só.

Devido a isso tudo, o produto final foi algo acima da média visualmente, mesmo com um estúdio por muitos desconhecido. De fato, Granbelm foi extremamente consistente do início ao fim, tanto em termos de design quanto em termos de direção. Decerto, não é difícil achar cortes com layouts inspirados e ângulos desafiadores.

Granbelm
©Nexus/Masaharu Watanabe/Jukki Hanada | “Como esse, por exemplo!”

Quando foi exigido do anime movimentação em batalha, apesar de não entregar muitas coreografias elaboradas, também não economizava em efeitos, na maioria das vezes sob a autoria do animador Kazuya Nakanishi, que animou aquela luta final estilosa de Rakudai Kishi no Cavalry.

A única reclamação minha para com a parte visual é a composição, que às vezes dificultava o entendimento do que estava acontecendo na tela nas cenas frenéticas. De resto, para um projeto pequeno como esse, simplesmente impecável.

Prosseguindo

Agora, deixando de lado o meu carinho pela produção visual, entremos para questões de enredo. A premissa de Granbelm em si é bem simples, um battle royale no qual a vencedora se torna a “The Witch”, portadora de toda a magia selada no mundo.

Acompanhamos o anime pela visão da protagonista Mangetsu, uma humana teoricamente normal que acaba se envolvendo com essa rixa ancestral entre famílias mágicas tradicionais.

Entretanto, acaba que o entregue passou longe de ser uma obra cujo foco principal é a ação. Pelo contrário, eu diria que as cenas de batalha eram usadas mais como meio para desenvolver o psicológico das personagens do que qualquer outra coisa.

A obra, como um todo, acaba por fazer com que elas busquem ativamente respostas para dilemas pessoais, principalmente, a razão e a motivação para sua existência. A dupla principal, pelo menos, foi muito bem trabalhada em relação a isso. No fim das contas, a conexão entre as duas se torna um dos maiores motivadores para acompanhar o enredo.

Granbelm
©Nexus/Masaharu Watanabe/Jukki Hanada | “São lindas cenas entre essas duas no final! ~”

Não bastasse isso, é uma trama bem imprevisível, e ocorrem certas reviravoltas de tirar o fôlego. Algumas tiveram carga dramática suficiente até mesmo para arrancar lágrimas minhas. No entanto, penso que esses 13 episódios não foram o suficiente para desenvolver igualmente todas as sete feiticeiras.

Algumas tinham potencial para serem melhor exploradas, mas o tempo acabou não permitindo. Mesmo assim, todas tiveram backstories interessantes. Para concluir com chave de ouro, o final é ótimo e perfeitamente fechado.

Em linhas gerais

Haja vista tantos elogios, já deve ter dado para notar que minha opinião sobre Granbelm não é nem um pouco avarenta. Foi de longe minha maior surpresa do ano, visualmente e narrativamente. Claro, não chega a ser incrivelmente inovador e ambicioso, mas se saiu muito bem dentro de sua despretensiosidade. E que venham mais projetos assim tão saudáveis, tanto para os animadores quanto para o expectador.

Nota: 9 – Frappuccino 


©J.C. Staff/Hajime Komoshida | “Esse anime recebe o selo notas da Shiina de qualidade!”

Granbelm está disponível no catálogo do serviço de streaming Crunchyroll.
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