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Review: Kimi no Iru Machi

©Kodansha/Seo Kouji

Kimi no Iru Machi – Descrição técnica

Gênero: Romance, Drama, Harém, Comédia, Ecchi
Autor: Seo Kouji
Revista: Weekly Shounen Magazine
Editora: Kodansha
Estreia: Maio de 2008

Personagens

Kimi no Iru Machi (ou A Town Where You Live) tem muitos personagens, aliás acho que é uma das obras de romance sem elementos sobrenaturais com mais personagens que já cheguei a ler. Ao longo de seus 270 capítulos, fomos apresentados a, no mínimo, 20 deles com relevância, alguns bons e outros nem tanto, mas citarei aqui os mais importantes para a trama.

O protagonista Kirishima Haruto vive no interior em uma pequena cidade chamada Hiroshima e segue bem a cartilha de personagens principais de haréns em mangás. Ele é gentil e inocente, sabe cozinhar, é meio denso e atrai mulheres com uma facilidade sobrenatural. Pelo menos ele tem atitude e consegue ir mais longe com as garotas do que vários outros Main Characters por aí, além de ser sério em relação aos seus sentimentos.

Outrossim, Yuzuki Eba é a heroína principal dessa história. Ela veio de Tóquio para estudar na cidade de Haruto e como seus pais tinham relações com os dele, acaba indo morar em sua casa. Ela possui uma personalidade alegre e extrovertida, apesar de ser atrapalhada.

Ademais, fora eles dois, temos uma cambada de personagens, dos quais podemos destacar Takashi Yura e Kaga Akari, ambos amigos de infância do protagonista, além de Kazama Kyousuke, Mishima Asuka, Kanzaki Nanami e… como eu já disse, muita gente. Eles variam entre amigos, namorados, rivais, veteranos e colegas, mas todos eles tem alguma utilidade para a progressão da trama. Curiosamente: minha favorita da obra inteira foi uma personagem secundária (ou terciária, sei lá) chamada Amagi Shiho.

©Kodansha/Seo Kouji

Merecem destaque: Kirishima Haruto, Yuzuki Eba, Mishima Asuka, Kazama Kyousuke.
Surpreenderam: Amagi Shiho, Rin Eba.
Poderiam ser mais aproveitados: Kaga Akari, Kanzaki Nanami, Asakura Kiyomi.

Análise Técnica

A arte é bem funcional para o que se propõe. O Seo Kouji possui um estilo de arte própria fácil de identificar, até porque é um mangaká experiente — outras de suas obras mais famosas são Suzuka e Fuuka — e sabe como passar as emoções que deseja através dos desenhos. As personagens femininas são bonitas, como esperado desse tipo de mangá, enquanto os homens tem uma aparência mais comum, apesar de não ser esteticamente grandiosa, conseguir manter a arte elegante em uma serialização semanal é algo digno de nota.

©Kodansha/Seo Kouji

Composição de Série

Este mangá foi, sem dúvida, uma das experiências mais estranhas que eu já tive com uma obra audiovisual. Isso porque o que senti ao decorrer dela definitivamente não foi nada uniforme. Em alguns momentos a odiei profundamente, em outros achei uma maravilha.

O começo da trama havia me dado a impressão de que ela seria aquelas historinhas de romance escolar leves com uma pitada de drama que estamos acostumados a ver em mangás como Nisekoi porém, com personagens bem menos simpáticos. Para minha surpresa não foi nada disso, seja para o bem ou mal.

©Kodansha/Seo Kouji

Em alguns momentos Kimi no Iru Machi me deu uma impressão enorme de estar se tornando uma novela mexicana, de tanto dramalhão que possuu. Por isso, nesses momentos juro que eu passava por um ataque de raiva e atirava o smartphone para o lado, mas vou dar crédito ao autor por fazer isso. Essa raiva fez com que eu não parasse de ler em nenhum momento, pois me deixava curioso pra saber que fim levaria aquelas situações. É admirável ele elaborar uma trama contínua e com pouquíssimos capítulos totalmente inúteis, apesar da extensão da série.

Houve muitos casos em que ele construía personagens interessantes, mas acabava não aproveitando-os completamente. Isso acabava matando alguns dos dramas que criava; um exemplo disso foi que aconteceu algo ruim com um personagem pelo capítulo 100, mas só consegui me emocionar com isso 50 capítulos depois.

©Kodansha/Seo Kouji

Entretanto, acho que com o passar dos capítulos, finalmente entendi o que o autor quis passar com essa história. Mormente, durante o mangá, o protagonista e seus amigos se mudam e se separam várias vezes — lembrando que a tradução do título da obra é “Uma Cidade Onde Você Mora”). Em alguns momentos, quem está lendo, inevitavelmente passa por uma crise de nostalgia enorme e o Seo Kouji soube administrá-los bem.

Ao finalizar a obra, ficou comigo a ideia de que sim, as circunstâncias mudam e as relações mudam. Enfim, a vida muda, pessoas vem e vão, isso sempre será inevitável. É difícil se adaptar à distância, certamente morar a 600 km de alguém que há algum tempo atrás era seu companheiro, vai tornar as coisas bem diferentes. Aprender a lidar com essas coisas é algo inerente à natureza humana.

©Kodansha/Seo Kouji

Comecei acompanhando a vida de uns moleques do colegial aproveitando a juventude; passei por universitários que perceberam que é necessário acordar para o mercado, os sonhos e a vida, e terminei com um bando de adultos que já têm em mente o que fazer e passaram por muitas coisas, mas que certamente enfrentarão muitos desafios pela frente. E sim, eu chorei com o final (muito bem fechado) do mangá, não sei se por raiva, por alegria, nostalgia ou tristeza, mas só sei que nunca irei esquecer essa trama do mangaká Seo Kouji.

Recomendação aos nossos clientes

A recomendação da sua cafeteria é: Só leia Kimi no Iru Machi se você consegue aguentar um bando de meninas gostando do protagonista e fanservice sexual corriqueiramente. Aliás, isso com certeza vai atrair alguns leitores, em certo momento os personagens chegam aos “finalmentes“, se é que me entendem. Se esses fatores te atraem, vai em frente! É uma ótima opção para quem gosta de romances com comédia e bastante drama. A trama é, acima de tudo, bem amarrada, contendo início, meio e fim bem definidos.

©Kodansha/Seo Kouji

Ademais, passem longe da adaptação para anime! “Mas Jacó, eu só quero saber como é mesmo, não gosto de ler…”. Não importa, o anime é terrível em todos os quesitos, foi uma péssima adaptação. Eu avisei.

Além disso, não se preocupe caso você desgostar da heroína com quem o protagonista ficouO autor fez sete capítulos extras pra mostrar como seria se o protagonista ficasse com cada uma das outras. Foi uma felicidade enorme quando li o que focava na Shiho.

©Kodansha/Seo Kouji | Shiho <3

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Personagens: 1/2
Análise técnica: 1/2
Composição de série: 2/2
Obra original: 2/2
Proposta: 1/2

Nota final: 7 – Submarino

 

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