Blog Filmes Reviews

Review: Kimi no Suizou wo Tabetai

©VLON/Yoru Sumino
Kimi no Suizou wo Tabetai – Descrição técnica

Diretor: Shinichirou Ushijima
Estúdio: VLON
Adaptado de: Novel
Gênero: Drama, Romance, Vida escolar


Primeiramente, gostaria de me apresentar. Meu nome é Marcelo, e vou estar fazendo parte do Café Stile com alguns textos durante o mês. Espero poder trazer coisas legais, e algumas obras que possam ser divertidas e interessantes para vocês.

Sendo assim, vamos a primeira review de um filme que adaptou um obra que gosto bastante.

Tendo já acompanhado o mangá, e sendo um grande amante de dramas, Kimi no Suizou wo Tabetai era uma das obras que eu tinham bastante interesse em ver ganhando vida em 2018. Felizmente, boa parte dessas minhas expectativas conseguiram ser correspondidas.

O filme, como um todo, é uma experiência boa. Apresentando o desenvolvimento do protagonista de forma cativante. E mantendo uma boa dose de entretenimento com as interações entre ele e a Sakura, garota que faz par com o mesmo.

Se dependesse apenas do emocional, eu certamente daria uma nota ótima, mas antes, existem certas questões, especialmente em relação à forma como adaptaram o original, que precisam ser consideradas para ser justo com a obra.

Um experiência talvez fria demais para um drama

Vou entrar em um pouco mais de detalhes sobre outro aspecto disso mais a frente. Mas uma das coisas que mais me chamou atenção enquanto assistia ao filme foi o silêncio do protagonista.

Tanto na novel, quanto no mangá, o Haruki é um personagem vivo. Ele pode não ser o tipo que se abre facilmente, mas seus pensamentos são bem expressivos e trazem um ótimo reforço para a narrativa da história. Já que, indiretamente, tudo ali segue ele e sua personalidade.

Seguir por uma direção mais visual, enxugando alguns monólogos internos para render tempo, poderia ter sido uma boa aposta, mas o problema está justamente nisso.

A direção não consegue se sobressair e compensar os momentos em que o silêncio deveria ser a maior voz da cena. O que leva a situações em que as coisas apenas acontecem, por assim dizer, sem grande impacto;  como no original.

Um bom exemplo seria o evento no hotel, onde o Haruki encontra os remédios da Sakura e tem um choque de consciência. Aquela cena deveria trazer o espectador de volta a realidade, lembrando que a Sakura é uma garota com problemas, e que, mesmo com todo aquele animo, ela ainda é doente.

A novel/mangá consegue fazer isso através dos ditos monólogos. Com o Haruki sentindo o peso daquela situação, mas no filme temos apenas uma troca de quadros que não conseguem intensificar o drama como deveria, e acaba deixando a sensação de que apenas passou uma ideia em tela.

São cenas simples, mas que trazem um peso para a história e, infelizmente, o filme acaba pecando em transmitir de forma adequada.

Ideias que poderiam ter feito a diferença

Ligado a essa questão das escolhas de direção, e da própria em si, existem as ideias por trás do roteiro, que realmente me doí dizer que não foram bem aproveitadas, porque elas eram muito boas.

Como comentado, o protagonista não tem tantos pensamentos como no original, mas isso pode ter uma justificativa dentro da própria narrativa. Uma vez que, como alguém fechado para as relações interpessoais, Haruki não abriria facilmente seus sentimentos.

Isso dá uma certa poetizada sobre a obra, com ele só deixando escapar alguns pensamentos na parte final, depois de passar pelo processo de evolução ao lado da Sakura; meio que dizendo: “Olha, agora eu estou pronto para falar com vocês”.

Essa espécie de tentativa de interação com o espectador também dá para ser sentida através da forma como os protagonistas se direcionam um ao outro durante o filme.

Enquanto que na novel e no mangá você tem apelidos para a forma como os demais personagens se referem ao Haruki, no filme, o nome dele é omitido em troca de criar uma certa aproximação maior com o espectador.

É você quem tem que escolher os rótulos para se referir ao personagens, o que cria uma certa particularidade com a obra, e faz com que a revelação do porquê disso seja mais dinâmica.

Ou seja, se não fosse por certos momentos em que a direção acaba seguindo para uma linha mediana, a experiência com o filme poderia ter sido bem mais positiva pelo uso dessas ideias. Já que reinterpretam certos pontos do material original, e dão personalidade para o filme.

Uma relação de aprendizagem

Por mais que certos pontos possam comprometer um pouco da experiência que a obra poderia oferecer, o filme ainda dispõe de aspectos bem positivos na sua história. Como é o caso da relação entre os dois protagonistas.

A Sakura é um charme como personagem. Assumindo aquele estereotipo de garota energética, mas se afastando de exemplos clichês do gênero que não são muito divertidas, além, claro, de ter todo sua particularidade com o problema da doença.

A maneira como ela conversa e se relaciona com o Haruki, que, também não é um personagem ruim, diga-se de passagem, é outra coisa digna de nota; que pode fazer com que o clima do filme fique ainda mais gostoso de acompanhar.

O desenvolvimento entre os dois, principalmente, no sentido pessoal, é algo que vale a pena, e consegue ser o grande diferencial do casal.

A parte romântica, vale informar, pode parecer um pouco enganosa, mas isso é algo que já é falado desde o início do filme. Então é meio esperado que as coisas não se desenvolvam muito, porém, ainda assim, existem diversos momentos em que eles se mostram um belo par, trazendo aquele sentimento “gostoso” para acompanhar a relação dos dois.

Mensagem final

Outro ponto que merece destaque para a obra é a mensagem empregada através da história. O que pode ser um prato cheio para que gosta de animes e filmes que buscam uma visão mais existencialista; ou com ideias que te façam refletir.

É bem interessante ver a aprendizagem do Haruki. E como ele vai, aos poucos, descobrindo como lidar com as pessoas e a viver de forma mais espontânea. Principalmente, por ter alguém como a Sakura do lado, que, fica ali o tempo todo; te lembrando como é bom simplesmente estar vivo; e vivendo aquele momento.

Essa troca de comparações entre uma pessoa preste a morrer, mas que vive de forma intensa; e uma pessoa saudável, mas que evita ao máximo ter que viver a sua vida. É o que torna o filme uma experiência gratificante. Que pode acabar te levando a  pensar sobre certas coisas no processo.

Sobre o final em si, eu particularmente gosto de como tudo segue. E acho que o desfecho seja o adequado para o que o autor tenta levar com a história. Mas fica uma ressalva para como isso pode impactar na experiência final (sem spoiler, então é complicado dizer como isso pode acontecer).

Vale a pena?

Sim, vale bastante. Mesmo não sendo a adaptação do sonhos, a história ainda é algo bem interessante de acompanhar. E a relação dos protagonista é muito divertida. A Sakura, sem sombra de dúvidas, pode te ganhar facilmente. E a forma como a relação entre ela e o Haruki se desenvolve; deve garantir bons momentos.

O final talvez não seja exatamente o que muitos esperam. Mas entendendo a visão do autor, não chega a ser algo tão anti-climático.

Nota: 7 – Café submarino


©P.A. Works/Toshiya Shinohara | “Esse filme merece o selo Hitomi da primavera de qualidade!”

Posts relacionados